“Abandono de um
ser: seria maior
que o seu deserto?”
Manoel de Barros
Queres que
eu
me entregue,
que não
finja
- como? -
que eu te
ame
amo senhor
eu tua
senhora
- agora?
Qual
entrega?
Delivery de
intenções?
Tu me
confundes.
Não sei
entregar eu quem
desconheço.
Em atenção à
doação,
espaço
interior
oco, vazio
no ato de
receber-te,
esse vácuo
- permita-me
–
cálice,
vaso, moringa,
não se pode
entrega
pois
receptáculo.
Não.
Não me
entrego.
Recebo-te
de alma e
pernas abertas
no reduto
que pode
ser-te,
se nele te
permitires
entrar,
inseminar-te.
Amar fêmeo
não é feito de entrega -
como alienar
um deserto
íntimo,
expectativa
côncava de
complemento?
Querer
fêmea
afirma-se
abrindo
espaços
vagos
para futuros
momentos
grávidos.
Aquele que
vem
precisa
compor sua
presença.
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