Quando a gente muda,
o lugar da gente
no mundo
vai com a gente
no fundo
do peito, como motivo para
ínfima
reacomodação do coração
às novas voltas,
que traçam,
na muda do novo mundo,
um sentimento
profundo
de desconhecer-se.
Quem é que muda nesse movimento?
A casa ou o vento?
A mente ou o tempo?
Adeus ou olá?
O que passa no passo?
O que rola no traço?
O que soma na trama
do fio momentaneamente sem prumo?
Quem vem?
Quem vai?
Quem ficou atrás?
Quem está presente?
Quem estará algum momento à frente?
Isso faz tremer
quando a gente muda
o lugar da gente no mundo, e,
bem no meio do meio do peito,
ínfimo e profundo,
anuncia-se um medo mudo
no movimento.
Isso que mexe com a gente,
no quente
da mudança.
Ione Mattos
(fevereiro / 2014)
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